Como fazer um planejamento estratégico no pós-crise

Ter um planejamento estratégico para o pós-crise é essencial para aumentar a longevidade do seu negócio.

planejamento estratégico no pós-crise
Tempo de leitura: 5 minutos

Isso porque um planejamento estratégico é um norte. Você pode encará-lo como a sua bússola ou como o seu mapa. Isso não quer dizer que você vai sempre seguir os caminhos predeterminados, mas você tem clareza de onde quer chegar.

Ademais, muitas vezes traçar planos a médio ou longo prazo em um planejamento estratégico é encarado como uma metodologia ultrapassada e engessada. 

Sobretudo por hoje estarmos vivemos em um mundo VUCA (acrônimo em inglês para Volátil, Incerto, Complexo e Ambíguo), onde ouvimos falar que startups de sucesso crescem de maneira muito acelerada e, de certa maneira, desorganizada.

Em um dia elas estão testando seu modelo de negócios. No dia seguinte, algo acontece no mundo (como a própria pandemia atual) e elas dobram ou triplicam seu faturamento. 

É por isso que, para o seu planejamento estratégico pós-crise, você precisa conhecer a metodologia de OKRs!

A METODOLOGIA DE OKRs

Primeiramente, a OKRs é uma metodologia de gestão mais ágil, mais simples e mais focada em resultados do que as tradicionais.

A metodologia de OKRs ficou famosa e se mostrou eficiente por sustentar o crescimento de uma empresa que você deve conhecer e, provavelmente foi a partir dela que você chegou em nosso site: a Google!

Assim, a utilização da metodologia de OKRs apoiou o crescimento do Google de 40 funcionários para mais dos 60.000 atuais. A metodologia foi criada pela Intel, e se espalhou para outras empresas do Vale do Silício.

Hoje, empresas como Amazon, Spotify, LinkedIn, Microsoft, Walmart e The Guardian (para citar apenas algumas) utilizam OKRs para fazer a gestão da sua estratégia. 

Com esses exemplos, a gente se sente mais confiante para realizar o nosso planejamento estratégico pós-crise!

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OKR é mesmo diferente das outras?

Ademais, outras duas metodologias bastante difundidas para realizar o planejamento estratégico de empresas são:

Balanced Scorecard (BSC)

Metodologia criada em 1992, definida por 4 pilares e tendo seu centro na visão da empresa: 

Cliente: para alcançarmos nossa visão, como devemos ser vistos pelos nossos clientes?

Financeiro: para ter sucesso financeiramente, como nós devemos aparecer para os nossos investidores?

Processo internos do negócio: para satisfazer os clientes, em quais processos devemos nos sobressair?

Aprendizado e crescimento: para alcançar a nossa visão, como sustentar a habilidade de mudar e progredir?

Dessa forma, podemos reparar que essa metodologia, além de não ser simplista, tenta encaixar todas as possíveis vertentes do seu negócio em apenas 4 campos. E sabemos que, na vida real, não é bem assim (principalmente depois de uma crise).

Sendo assim, fazer o seu planejamento estratégico pós-crise baseado no BSC pode limitar o seu crescimento e fazer você acompanhar indicadores que não são os essenciais para você.

Must-Win Battles (MWB)

Metodologia mais recente, criada em 2005, tem um tom mais lúdico e inspirador. Para o pós-crise, um tom motivacional é interessante!

Se baseia em definir qual é a “guerra” da sua empresa dentro de um período (para os próximos 5 anos, por exemplo) e, para vencer a guerra, você precisa vencer “batalhas” – pequenos objetivos da guerra destrinchados para períodos menores (anuais, trimestrais etc.).

Uma MWB bem feita, precisa seguir 4 passos:

  1. Criar um mantra;
  2. Definir 3 a 5 MWB;
  3. Determinar 1 a 3 motivos para cada batalha;
  4. Estabelecer até 3 atividades-chave para o fim.

Sendo assim, a MWB tem aspectos parecidos com a OKR, porém, ela assume um aspecto menos pragmático. Vamos logo conhecer as OKRs e entender como fazer o nosso planejamento estratégico a partir dela!

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O QUE SÃO AS OKRs?

Antes de mais nada para começar o seu planejamento estratégico pós-crise, preciso te falar finalmente que OKR é a sigla para Objective (Objetivo) e Key Result (Resultado-chave).

Se você analisar um pouco mais, o próprio nome já traz a ideia de simplicidade e essencialismo que a OKR permite: você define um objetivo e quais resultados-chave mensuram o atingimento desse objetivo.

Então, alinhado com essa percepção, John Doerr definiu uma fórmula para a construção de uma OKR:

Eu vou ____ medido por _____.

Ou seja:

Eu vou (objetivo) medido por (resultados-chave).

Consegue entender como isso explicita o que é realmente necessário no seu pós-crise?

OBJETIVO

Primeiramente, o objetivo é a frase que deve sintetizar aonde você quer chegar em determinado campo. Sendo assim, um objetivo é uma frase curta, envolvente, de cunho qualitativo e que deve iniciar com um verbo.

RESULTADOS-CHAVE (KEY RESULTS)

Se os objetivos são a parte qualitativa das OKRs, para termos realmente mais foco em resultados precisamos do quantitativo. Portanto, é aí que entram os resultados-chave.

Por isso, os resultados-chave precisam ser quantitativos para poder mensurar se você está chegando no seu objetivo. Sendo assim, para cada objetivo, recomenda-se de 2 a 5 resultados-chave.

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O INÍCIO DA IMPLEMENTAÇÃO DAS OKRS

Antes de tudo vamos iniciar vendo exemplos de OKRs para fixar o conhecimento do conceito:


EXEMPLO 1

Objetivo: 

– Expandir a operação internacionalmente

Resultados-chave:

– Conquistar clientes em 5 países

– Obter 20% de Market share no México

– Faturar R$60.000,00 em vendas fora do Brasil

EXEMPLO 2

Objetivo:

– Aumentar a eficiência da produção

Resultados-chave:

– Diminuir em 35% o desperdício da produção

– Diminuir em 10% o tempo de produção do produto Y

– Reduzir o tempo de setup da produção para 6 minutos

– Produzir 95% do produto X no prazo estabelecido

Leia também: Como reduzir os gastos do meu negócio?

Sendo assim, esses 2 exemplos ajudam a exemplificar como as OKRs podem ser usadas desde o nível estratégico (exemplo 1) – expansão da operação para outros países – até o nível operacional (exemplo 2) – aumento da eficiência no dia a dia da produção.

As OKRs te dão a possibilidade de destrinchar de maneira muito clara os objetivos da sua empresa em todos os níveis (partindo da estratégia global para os próximos 5 anos, passando pelo CEO e chegando até o líder de marketing digital da empresa, por exemplo), tudo alinhado à sua visão

Se você quer entender melhor sobre os níveis estratégicos dos indicadores, você precisa ler esse outro artigo sobre indicadores e estratégia.

Vamos ver um exemplo dessa cascata?

EXEMPLO 3:

Primeiramente, pensando em uma empresa que pretende ser a melhor empresa do país em seu setor, podemos imaginar que eles tenham um objetivo de oferecer uma ótima experiência para os clientes.

Para isso, os funcionários precisam estar tendo uma boa experiência no dia a dia, e construir esse ambiente pode ser função do CEO.

Ainda mais que no cotidiano do cliente, quem lida com isso é o líder de customer success, e o objetivo dele é manter proximidade dos clientes e resolver os seus problemas. 

Percebeu como as coisas se alinham à sua visão?

VISÃO DA EMPRESA:

Ser a melhor empresa de consultoria em engenharia e gestão do Brasil em 4 anos.

OKR ESTRATÉGICO

Objetivo:

Oferecer uma experiência incrível aos clientes.

Resultados-chave:

– Obter NPS 71

– Aumentar em 25% a retenção de clientes

– Aumentar o LTV (Lifetime Value) em 10%

OKR DO CEO

Objetivo:

Criar um ambiente fantástico para os colaboradores

Resultados-chave:

– Ter um NPS interno de 85

– Reduzir o turnover em 40%

– Aumentar a porcentagem de mulheres na empresa para 50%

OKR DO LÍDER DE CUSTOMER SUCCESS

Objetivo: 

Manter um relacionamento próximo dos clientes

Resultados-chave:

– Ter 100% dos clientes cadastrados na ferramenta de automação de marketing

– Obter nota 8.5 no Reclame Aqui

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O MAIOR ERRO DAS OKRs

O maior erro das OKRs e que pode prejudicar o seu planejamento estratégico pós-crise é esquecer de acompanhar as OKRs

Sendo assim, a metodologia te dá margem para estruturar seus objetivos e key results em ciclos curtos, podendo renová-los no período que fizer mais sentido para a sua empresa – bimestral, trimestral, quadrimestral etc.

Essa possibilidade de acompanhamento constante é o que vai possibilitar que você trace estratégias correlatas com o momento pós-crise pelo qual iremos passar.

Então, até aqui vimos sobre o Planejamento, e agora vamos falar sobre Acompanhamento e Debriefing.

Leia: seja eficiente no planejamento financeiro da sua empresa

COMO ACOMPANHAR AS OKRS NO DIA A DIA?

Antes de mais nada, pergunte-se: qual vai ser o tamanho do ciclo das suas OKRs mais táticas? Ou seja, em quanto tempo você quer atingir aquele objetivo que você definiu? Em 2, 3, 4, 6 meses?

Tendo isso definido, você consegue criar uma rotina de acompanhamento. Do que adianta termos a estratégia definida e só olharmos para ela no início e no final do ciclo? Portanto, o acompanhamento serve para consertar a nossa rota durante o período.

Aqui na Líder, nosso ciclo é trimestral – ou seja, definimos indicadores a cada 3 meses – e nós acompanhamos mensalmente o nosso desempenho.

Você poderia acompanhar quinzenalmente, por exemplo. Pois não há uma regra.

De modo que o importante é fazer sentido para identificar e corrigir as suas estratégias e traçar planos de ação.

Nada impede das áreas da sua empresa terem uma rotina semanal de olhar para as OKRs – até é recomendado que isso seja cultura no local de trabalho – mas a função principal do acompanhamento é definir planos de ação.

Então, não faz muito sentido traçar novos planos de ação a cada semana, pois os planos de ação anteriores ainda podem estar sendo executados. Ainda que com muitos planos de ação simultâneos acontecendo, você não conseguirá enxergar de onde determinado resultado está vindo (ou deixando de vim).

Vamos voltar ao exemplo 3 para entender como criar planos de ação? 

OKR DO LÍDER DE CUSTOMER SUCCESS

Objetivos

Manter um relacionamento próximo dos clientes

Resultados-chave do trimestre:

– Ter 100% dos clientes cadastrados na ferramenta de automação de marketing

– Obter nota 8.5 no Reclame Aqui

Planos de ação do mês:

Construir landing page no site para captar informações de clientes antigos;

Responder as reclamações do Reclame Aqui do mês de junho;

Enviar “mimo” para os clientes com NPS de 0 a 6.

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POR FIM, O DEBRIEFING

Antes de mais nada, vamos acabar com esse nome complexo: debriefing nada mais é do que acompanhamento de resultados.

Ao final do ciclo, olhe para o(s) seu(s) objetivo atualizado com os resultados do período e veja se você atingiu sua meta ou não.

Mas não podemos ficar apenas na aceitação de indicadores batidos ou não batidos, pois precisamos aprender com os planos de ação executados. Podemos ter 4 situações:

Indicador batido x plano de ação definido foi executado:

Um bom indício de que o plano de ação foi certeiro. Por isso, guarde no seu repertório caso seja necessário replicar;

Indicador batido x plano de ação definido não foi executado:

O plano de ação não estava relacionado diretamente com esse indicador, e será preciso listar as ações que foram executadas para identificar o que trouxe esse resultado. Se não foi feito nada em específico e, mesmo assim, aconteceu o atingimento da meta, esse não era um bom indicador;

Indicador não batido x plano de ação definido foi executado:

A depender da porcentagem considerada como aceitável para esse não atingimento (por exemplo, na Google o 70% para eles é igual a 100% – conhecido como “moonshot”: chute na lua) pode-se encarar como sucesso o objetivo. Mas se estiver realmente abaixo do esperado, o plano de ação pode não ter relação direta com o indicador, ou ele sozinho não surtiu tanto efeito. Necessário rever para os próximos ciclos;

Indicador não batido x plano de ação definido não foi executado:

Por que o plano de ação não foi executado? Estava claro para o responsável? O indicador era, realmente, necessário? Outros planos de ação foram executados? Necessário destrinchar esse desempenho. 

Feito o debriefing do ciclo, você está preparado para realizar a construção das OKRs para o próximo ciclo, pois terá aprendido com os resultados.

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VOCÊ CHEGOU AO FINAL

Se você leu esse artigo até aqui, saiba que sairá na frente de grande porcentagem dos empreendedores no pós-crise! Além dos textos citados durante o artigo, deixo a sugestão para que você leia o ebook da Qulture.Rocks: OKR -Da Missão às Métricas, escrito pelo Francisco Homem de Mello, fundador da empresa!

Espero ter ajudado, e pode contar com a Líder Jr. para alavancar e sustentar o seu negócio.

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